Podemos mudar a realidade do planeta a partir de um novo modelo de percepção, que começa na mesa de nossos lares!
Food Inc.
Podemos mudar a realidade do planeta a partir de um novo modelo de percepção, que começa na mesa de nossos lares!
Food Inc.
Dia desses, umas das nossas publicações no Facebook gerou polêmica e uma certa revolta em algumas pessoas, comentário vai, comentário vem, alguém falou “hoje as pessoas deixam o campo, vendem suas terras…”. E aí me perguntei e perguntei pra pessoa: “você já parou pra pensar o porquê desse jovem ir embora do campo e na maioria das vezes não voltar?” .
Vou contar uma breve história: Eu nunca trabalhei na lavoura, mas meus pais sim… E eles desistiram sabe por quê? Eles começaram a se questionar porque a cada lavoura precisavam comprar cada vez mais insumos agrícolas para produzir a mesma ou em quantidade menor do que na safra anterior, além disso, a cada ano era um novo financiamento. Cada vez que a safra não era boa, era uma dívida a mais que se acumulava, numa tentativa de pagar as contas e colocar comida na mesa, meu pai ia mais uma vez ao banco, mais um financiamento e mais insumo… Só que uma hora ele simplesmente faliu. Como acontece com tantos outros agricultores Brasil afora.
Depois de vender praticamente tudo que tinha, pra pagar o que conseguiu das suas dívidas, meu pai não quis mais saber de agricultura… Eu vi tudo o que aconteceu com ele e, simplesmente não quero isso pra mim e nem pra minha família.
Veja bem, não estou dizendo que não quero ser agricultora, apenas que quero uma agricultura diferente da convencional. Quando nos juntamos como coletivo, foi com o intuito de achar alternativas para que tantos outros agricultores não tomassem o mesmo rumo do meu pai, e de tantos outros pais, foi para buscar alternativas de plantar, produzir, ter uma fonte de renda para sustentar suas famílias. E que bom se pudéssemos ter isso de forma saudável, consciente de que eu, você e nossas famílias se alimentam e vendem um produto que não prejudica a saúde de ninguém.
Sei que as vezes algumas de nossas postagens são de fato agressivas e incomodam muita gente, igual ao elefante, mas a ideia do coletivo é promover a discussão saudável sobre agricultura, para que assim homem, natureza e agricultura consigam conviver em harmonia.
É fato que alguns agricultores seguem orientações de um eng. agrônomo. Mas sei também que há casos como o de um eng. agrônomo, que receita insumo pra lavoura dos agricultores da comunidade, mas para a alimentação dele e da família vai buscar alimento orgânico com um dos poucos agricultores de Witmarsum que não usam veneno. Não é estranho isso?
Não temos a intenção de ofender ninguém. Só queremos que as pessoas, agricultores ou não, pensem no problema apresentado. Porque, vou te dizer uma coisa, eu não sou de Witmarsum, mas gosto de lá como se fosse, e acho triste olhar para aquela terra que a cada dia recebe uma porção a mais de veneno, porque na minha opinião adubo químico é veneno, e de tempos em tempos perde moradores (coinscidentemente agricultores) vítimas de câncer (porque será?), ou então que vendem tudo pra pagar dívidas e vão embora, ou saem para estudar e não voltam. Já tive a oportunidade de ficar tempo o suficiente pra sentir o cheiro de veneno em vários lugares de Witmarsum, é muito triste.
E do fundo do meu coração, espero que o dia em que eu for me estabelecer em Witmarsum, porque essa é minha vontade, ainda haja tempo para fazer diferente, para colocar em prática a agricultura alternativa que vim buscar e aprender aqui fora!
Espero que ao ler este texto vocês reflitam tanto quanto eu refleti ao escrevê-lo. Até breve!
Com o intuito de democratizar e aprimorar informações sobre meio ambiente, na década de 1960, junto com o surgimento de uma consciência ambiental global chamado por Grün de “ecologização da sociedade”, surge o jornalismo ambiental.
De lá pra cá, matérias com “apelo verde”, por assim dizer, que aparentemente focam preservação do meio ambiente, sustentabilidade, pipocam pela mídia. O problema é que falta uma reflexão sobre a qualidade das informações ambientais repassadas pela imprensa.
Nas palavras de Roberto Villar Belmonte: “O Meio Ambiente é pauta, mas em geral ocupa espaços periféricos e recebe uma abordagem exótica. As reportagens quase sempre são fruto do interesse e da curiosidade do próprio jornalista. Dificilmente resultam de uma decisão das chefias, pois o status editorial ainda não é proporcional ao tamanho da crise ecológica do planeta” (VILAS BOAS et al. 2004, p.22).
E como se não bastasse jornalismo ambiental é em sua maioria uma “estetização/idealização da natureza, forjando-se maniqueísmos ingênuos e falsas dicotomias” como afirma Eduardo Geraque “Uma cobertura recorrente, aprofundada e multifacetada simplesmente inexiste. Há poucas exceções, e elas geralmente aparecem em cadernos especiais de jornais ou em reportagens de revistas especializadas”. (GERAQUE apud VILAS BOAS et al 2004, p.10)
É visível a falta de profundidade nas matérias sobre Meio Ambiente, e deve-se isso à complexidade desta área de atuação e às dificuldades enfrentadas no jornalismo por ter que apresentar a relação do meio ambiente com fatores econômicos, políticos, culturais e sociais geralmente em um curto espaço.
O fato é que se tem a impressão de existir certo preconceito por parte dos veículos com os jornalistas ambientais. E mesmo que, em todo o país exista simpatizantes à causa ambiental, não admitem isso publicamente para não serem motivo de chacota, sendo tachados de “ecochato”.
Assim, cobertura ambiental qualificada acaba tendo pouco espaço nos veículos de comunicação das principais cidades do país. Seja para falar dos problemas ambientais ou para apontar soluções que possam dar novas possibilidades para população na maneira que se relacionam com o meio. (VILAS BOAS, 2004).
Para Urban ([ca.2000]) isso ocorre porque “os estudantes de Comunicação não recebem sequer noções básicas de Ecologia” . E também porque o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros – que tem como referência a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 – não aborda os temas ambientais inseridos em dezenas de outras Declarações e Cartas de âmbito planetário, desconhecidas dos profissionais e, conseqüentemente, do público.
Para Urban o grande questionamento é: “como será possível capacitar a sociedade (…) se a principal fonte de formação da opinião pública – os meios de comunicação – trata do tema de forma fragmentada,pontual e isolada?
O que pode ser feito para combater essa falha do jornalismo? Uma das possibilidades é colocar em prática a multidisciplinaridade nas instituições de ensino como forma de diminuir essa limitação. Urban ainda fala na promoção de debate sobre as grandes diretrizes planetárias e sobre questões éticas modernas, realizado de modo a integrar diferentes áreas de conhecimento, poderiam preparar futuros profissionais e futuras fontes para um convício mais adequado.
Pois o papel do Jornalismo Ambiental além de provedor da discussão sobre a problemática crise ambientalista que a sociedade está inserida, deve ser também uma ferramenta de educação ambiental. Aqui se concorda com as palavras de André Azevedo da Fonseca quando este afirma: “Se a imprensa quer mesmo ser relevante, deve encarar sua responsabilidade em participar ativamente na formação ambiental do cidadão, não apenas nas calamidades, mas sobre tudo no dia-a-dia (…)”, pois é fundamental que seja feito um jornalismo ambiental que informe sem superficialidade.
-
Cada vez mais sentimos a importância de fazer um alerta, sobretudo, pelo modelo dominante da nossa atual agricultura. Muitas vezes somos criticados negativamente por nossos conterrâneos, que nos denominam de ‘ecochatos’ porque confrontamos esse modelo insano de produção de alimento, e embora para alguns de nós isso possa trazer certo desanimo de continuar lutando, sabemos que se permanecermos unidos e agregando aqueles que compreendem o perigoso jogo de poder da agroindustria, podemos fazer uma grande transformação na vida das pessoas e quem sabe ajudar o planeta.
É o que o Coletivo BioWit propõem aqui, refletir sobre a ética de produção de alimentos e entender que a medida que exploramos os solos e destruímos o equilíbrio natural usando adubação (NPK), estamos aumentando a capacidade do ataque de pragas e doenças. Bem como o uso de defensivos químicos e agrotóxicos que têm aumentado assustadoramente ano após ano, como no caso do milho que já se usa até cinco passadas de veneno. É obvio que assim a agricultura não dá mais lucro. Quem lucra com isso é a industria que produz os adubos e agrotóxicos. Além disso, estudos indicam que morrem ou permanecem invalidas meio milhão de pessoas anualmente, devido ao uso de tantos insumos químicos.
Uma antiga sabedoria fala que “solo doente, planta doente, homem doente”. Este processo contribui decisivamente para a extinção da vida humana no planeta.
Como afirma agrônoma Ana Primavesi “(…) as pessoas que comem agora estas colheitas, comem plantas doentes e também se tornam doentes. Uma planta deficiente somente pode gerar um homem deficiente e deficiência sempre significa doença. Por isso precisa-se a cada ano mais leitos hospitalares. Doenças antes nunca vistas aparecem, especialmente de vírus, como também nas plantas as pragas e doenças aumentam ano por ano. Em 1970 existiam no Brasil 193 pragas. Atualmente ultrapassa 650. De onde vieram? Bactérias, fungos, vírus e insetos que antes eram pacíficos e até benéficos agora se tornam parasitas. Por que? Porque as plantas são doentes nos solos doentes. E o solo é doente quando perde sua vida, sua porosidade, seu equilíbrio em nutrientes.”
Outro assunto por vezes polêmico é o uso de transgênicos, que o agricultor passou a usar sem pensar no propósito projetado por Deus para a humanidade e que está escrito em Gênesis, Cap. o1 – A criação: “Deus disse: Que a terra produza relva, ervas que produzam sementes, frutos que contenham sementes (…) Que a terra produza seres vivos conforme a espécie de cada um: animais domésticos, répteis e feras, cada um conforme a sua espécie (…) E Deus viu que era bom.”
Neste contexto, nada na natureza existe de maneira isolada, tudo está interligado. Assim como o homem faz parte da natureza. Por essa razão o agricultor não deve simplesmente sair por aí adubando por que alguém recomendou ou usando Roundup a qualquer época do ano para deixar tudo “limpinho”. Porque nós fazemos parte da terra, e tudo o que fazemos a terra, fazemos também a nós mesmos.
Quando a “ficha caí” e nos damos conta disso, a partir daí temos a responsabilidade de apontar caminhos seguros para uma agricultura ética, que respeita o homem e a terra. Um caminho inteligente é a agricultura biodinâmica desenvolvido inicialmente por Rudolf Steiner que entende a propriedade agrícola como um organismo vivo, onde existe uma estreita relação entre os componentes (solo, planta, animais domésticos, vida selvagem, água, etc) como partes interdependentes e necessárias de algo mais complexo, e não apenas meios de produção como no caso da agricultura convencional.
Temos ainda alguns princípios básicos sugeridos na agroecologia:
A natureza mostra-nos, todos os dias, que cada ser vivo ou elemento natural (solo, água, ar) tem importante papel e função a desenpenhar para a manutenção da vida. As matas ou florestas são os ecossistemas onde mais podemos comprovar isto. Onde o equilibrio da vida se concretiza, onde a diversidade de espécies mais se expressa, onde os processos naturais se potencializam e complementa. Comprovando que nenhuma tecnologia artificial/química é necessária.
Considerar todas as realidades, fatores e sistemas de produção existentes no ambiente. Estes sistemas devem ser vistos de forma integrada, tanto do ponto de vista vegetal, como animal. A produção e os recursos biológicos obtidos com as criações devem complementar a produção e os recursos obtidos com a lavoura e vice-versa. Isto garantirá o equilibrio ambiental e a autonomia do agricultor em relação a dependência de fatores externos a sua propriedade.
Os agricultores familiares adquiriram, ao longo de vários e suados anos de trabalho com a terra, experiência e conhecimento suficiente para viabilizar sua produção. Com o enfoque sustentável, o agricultor funciona como um pesquisador e experimentador de novas e diversas situações no ambiente rural. A agroecologia procura resgatar e valorizar este conhecimento.
Para concluir, pergunte ao solo e a raiz se está fazendo a coisa certa. Porque é um solo rico em vida que se busca!
Peter Epp (in memorian) senta-se no sofá, inclina-se para frente, apoiando as mãos na bengala e sobre ela descansando o queixo. Então seu rosto perde o sorriso com que vinha mantendo a conversa, os olhos líquidos, quase centenários, debaixo de pálpebras semicerradas, deslizam para as funduras do tempo, um tempo que só ele alcança com os braços de sua memória privilegiada. Omsk, sul da União Soviética, quase fronteira com Cazaquistão, 1930. O pai perdera seus 300 hectares e 19 cavalos para a coletivização da agricultura. Trabalhava agora num colcoz, cooperativa socialista típica do modelo soviético, para sustentar mulher e seis filhos. Peter tinha 17 anos.
Um dia o pai resolveu fugir. Então os Epp e três outras famílias embarcaram clandestinamente no trem que vinha de Moscou em direção a Vladivostok. “Não tínhamos nem bilhete, nem documentos. Meu pai deu dinheiro para um guarda e ele nos escondeu numa cabine”, lembra-se Peter. Desembarcaram 7.500 quilômetros depois, pouco antes de Vladivostok, na região do rio Amur, fronteira com a China. No dia 16 de dezembro de 1930 deixaram a União Soviética. Guiados por um chinês, atravessaram as águas congeladas do Amur, a 40 graus negativos. Todos menos o pai que morrera dez dias antes.
Peregrinação
Nos próximos dois anos os Epp peregrinaram em busca de um destino, sem documentos e com minguados pertences. Passaram por Xangai, Hong-Kong, pela antiga Saigon. Com ajuda do Comitê Central dos Menonitas, sede nos Estados Unidos, singraram aqueles misteriosos mares asiáticos, o Amarelo, o grande mar da China, o mar da Arábia, entraram no Golfo do Aden, cruzaram o mar Vermelho, passaram pelo canal de Suez e navegaram pelo Mediterrâneo até pó porto de Marselha. Dois anos escondendo-se, viajando, tentando sobreviver. De Marselha foram de trem até o porto de Le Havre, noroeste da França. “Tomamos café em Paris”, recorda-se Peter. Do Le Havre embarcaram para Buenos Aires e, por fim, chegaram ao destino, em 1932: o longínquo e escaldante Chaco paraguaio, com seu calor de 45 graus e índios pouco amigáveis.
Suportaram o Chaco por cinco anos, plantando algodão, batata-doce e feijão. Depois se transferiram para o Leste paraguaio, a 50 quilometros da fronteira brasileira. Dezesseis anos depois mudaram-se para a jovem Colônia Witmarsum. Como os demais, chegaram pobres. Peter Epp alugou uma propriedade e comprou 12 vacas e um cavalo a prestação. Começou a produzir leite. Trabalhou duro na produção de leite e no plantio de grãos, prosperou. Adquiriu mais duas chácaras e um terreno, que distribuiu aos cinco filhos. Por quatro vezes visitou a Alemanha e, por três, os Estados Unidos. Em 1991 perdeu a esposa Helena Kliewer. Em 2000, aos 86 anos, casou-se com Anna Rempel Ekk, oito anos mais moça, uma das primeiras enfermeiras de Witmarsum. Dirigiu automóvel até os 93 anos. Bem humorado, pensamento positivo, não há em Peter Epp nenhum traço de amargura pelas dificuldades que a vida lhe impôs. Ri dos percalços, preparando-se para comemorar o centenário.
Escrito pelo Jornalista Luiz Manfredini
Peter Pauls: a missão de educar
Peter era o mais velho dos 11 filhos de Peter e Ana Pauls, menonitas russos que se estabeleceram em Ibirama, Santa Catarina, em 1930. Aos 15 anos os pais lhe disseram: “Não temos condições para mandar todos os filhos para a escola. Então vá você tirar um estudo e volte para ser professor dos seus irmãos”. A comunidade ajudou, sob o mesmo compromisso: voltar para ensinar os outros. Seis anos depois de estudar num seminário em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, Peter Pauls voltou e foi professor de todos os seus irmãos e de milhares de outros jovens até se aposentar, em 1989. Ainda assim, não se pode dizer que parou de ensinar.
Ao se formar, a família já havia se transferido para Witmarsum. Era 1959 e Peter tornou-se o primeiro professor nomeado pelo Estado na colônia, pois era o primeiro de nacionalidade brasileira. Lecionava em barracões de gado transformados em salas de aula, onde os alunos chegavam a pé, de bicicleta, de charrete, a cavalo, muitas vezes percorrendo dez, quinze quilômetros, pisando no barro, cruzando rios sem pontes. Mas chegavam. O próprio Peter fazia sacrifícios. Formou-se em letras germânicas pela então Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, viajando para as aulas quando podia, recuperando em casa, nos finais de semana, as lições perdidas.
De lá para cá Peter Pauls combinou atividades pedagógicas, intelectuais e de serviço social. Em 1960 criou o ginásio e, em 1975, o segundo grau em Witmarsum. Lecionava várias matérias, auxiliado por professores de Curitiba, Ponta Grossa e Palmeira. Esteve 14 vezes na Alemanha, sempre a convite e para estudos, e pesquisou, estudou e proferiu palestras nos Estados Unidos e no Canadá. Em 1977 lançou o primeiro livro, em alemão, com a história de Witmarsum. Seguiram-se mais cinco, abordando sobretudo a trajetória dos menonitas (sobre o qual tornou-se autoridade), além de artigos e reportagens sobre temas brasileiros para jornais da Alemanha, Canadá e Brasil. É o intelectual de Witmarsum.
A Associação Menonita Beneficente (AMB) nasceu em 1988 para, nas palavras de Peter, “ajudar a si próprias”, além de difundir o evangelho. “Senti que Deus me chamou para essa missão”, diz. A associação promove amplo trabalho social, que envolve o apadrinhamento de crianças, famílias e alunos, distribuição de roupas e refeições, mutirões para construção de casas, orientação para produção agropecuária, criação de clubes de mães, curso bíblico por correspondência, entre outras iniciativas com o objetivo de incluir os mais necessitados de várias localidades do Estado nos benefícios do desenvolvimento.
Escrito pelo Jornalista Luiz Manfredini
‘é preciso conhecer de onde viemos, pois só assim saberemos para onde vamos’
A história é longa, remonta ao longínquo ano de 1525. Mas está na ponta da língua do técnico agrícola Heinz Egon Philippsen, que a expõe aos mais de quatro mil visitantes que anualmente passam pelo museu histórico da colônia Witmarsum, em Palmeira, nos Campos Gerais do Paraná. Num banner fixado na parede da primeira sala do museu, as principais datas da longa história dos menonitas, que fundaram esta e tantas outras colônias agropecuárias pelo mundo afora.
O acervo do museu é revelador: uma pequena colher presenteada pelo czar a um camponês em meados do século XIX, um relógio de parede de 1840 que ainda funciona, botas de feltro para enfrentar as nevascas russas, baús, samovares, louças, móveis, roupas, livros e cadernos, rádios antigos, gramofones, entre outros vestígios de uma saga mais que secular que trouxe os menonitas a Santa Catarina, depois ao Paraná.
Os avós de Heinz Philippsen estavam entre os 5.700 menonitas russos-alemães que deixaram a União Soviética em fins de 1929 e se espalharam pelo mundo. Talvez tenha sido essa a última grande movimentação de uma saga que vinha de séculos. Filhos da reforma protestante do início do século XVI, os menonitas devem sua designação ao ex-sacerdote católico Meno Simons, nascido em 1496, na cidade holandesa de Witmarsum.
Perseguidos na Suíça, Holanda e Alemanha, fugiram para a antiga Prússia e, por volta de 1780, evitando o serviço militar obrigatório prussiano, para o sul da Rússia. Ali permaneceram por cerca de 150 anos. Alemanha, Holanda, Suécia, Canadá, Estados Unidos, entre outros países, intervieram junto ao governo da União Soviética, pela liberação dos menonitas, que não viam possibilidade de subsistir naquele país mantendo seus princípios religiosos e comunidades próprias. De volta a Alemanha, receberam cidadania alemã e 1250 deles vieram para o Brasil.
No Vale do Krauel
Instalados em Santa Catarina, no vale do rio Krauel, a oeste do município de Ibirama, em 1930, ali formaram quatro colônias, uma delas denominada Witmarsum, que significa algo como “a casa do homem formoso da floresta”. Habituados as suaves estepes russas, onde plantavam trigo, estranharam a topografia acidentada do oeste catarinense que os obrigou a plantar milho e madioca com a tecnologia arcaica da enxada. Já em 1935 um grupo seguiu para Curitiba, onde viria a fundar a Cooperativa de Laticínios Clac. Em 1949, outro grupo transferiu-se para a região de Bagé, no Rio Grande do Sul. Dois anos depois, os que permaneceram no vale do Krauel procuraram outro destino. Além do relevo adverso, sentiam-se enfraquecidos com a saída dos grupos para Curitiba e Bagé e a instalação, na colônia, de estranhos as suas crenças.
Em torno de 70 famílias de Ibirama, e outras 15 vieram do Chaco paraguaio, adquiriram a fazenda Cancela, do Senador Roberto Glaser, entre Curitiba e Ponta Grossa, com recursos próprios e um empréstimo do Comitê Central dos Menonitas, sediado nos Estados Unidos. Chegaram em Palmeira em caminhões, a maioria levando apenas seus pertences pessoais. Outros vieram de Ibirama a pé, uma semana tangendo o gado. Continuavam pobres, mas cheios de esperanças. Dividiram a terra, dez hectares para cada família. Construíram suas meias-águas e se puseram a trabalhar. Em cinco anos já havia cerca de 150 famílias. Em 7,8 mil hectares (depois acrescidos 3,3 mil hectares) os menonitas dedicaram-se a pecuária e a agricultura, constituindo a Cooperativa Mista Agropecuária Witmarsum Ltda.
(texto escrito pelo amigo e jornalista Luiz Manfredini)
continua…
-
Composto pelos artistas de tamanho espírito formoso, Marc Olaf Thiessen, Mariana Ribeiro, Isadora Flores e Marcel Cruz, o grupo musical ‘Siricutico’ se apresentou no último final de semana do mês de novembro, na feira de natal que acontece todos os anos em Witmarsum, trazendo muita cultura, arte e mágia para as crianças, jovens e adultos.
O momento lúdico esteve repleto de diversão e a apresentação direcionada ao público infantil, que diga-se de passagem, cantou, riu, dançou, rebolou, pulou e acompanhou todas as peripécias do grupo, fazendo jus ao fantástico trabalho que vêm sendo desenvolvido por meio de um repertório de canções populares e músicas próprias.
Aqui segue um pouco mais dessa proposta:
“O grupo Siricutico foi criado com o objetivo de aproximar as crianças do universo musical, lúdico e artístico, através da pesquisa e montagem de espetáculos que instigam o público a imaginar, criar, aproximar-se da arte e da sensibilidade musical. Dando ênfase a reflexões educativas de forma descontraída e cômica, o repertório conta diversas canções próprias e a “tirada do baú” de algumas canções antigas populares com uma nova roupagem, ora coreografadas, ora encenadas, unificadas por uma instrumentalização singular, leve e fluida.”
Lógico que o Coletivo BioWit estava lá em massa para prestigiar os amigos e registrar esse momento histórico dedicado a comunidade Witmarsuense.
Obrigado Siricutico! Nós amamos vocês!!!!
Confira as imagens.
E é como dizem né: Quem canta seus males espanta…
… BORA WIT CANTAR MAIS!!!!
A Permacultura é o foco central do Coletivo BioWit, sendo assim, eu gostaria de escrever um pouquinho sobre ela nesta data “cabalística” e falar sobre nossa responsabilidade ética de proteger a Terra e as pessoas que nela habitam.
Para aqueles que não sabem, o conceito da permacultura foi cunhado na década de 70 pelos Australianos Bill e David sendo inicialmente entendida como cultura permanente. De acordo com Bill Mollison, a permacultura “é um sistema de design para a criação de ambientes humanos sustentáveis”, ou seja, trata-se de uma ciência que engloba todos os aspectos da condição humana e não só, como alguns pensam, da agricultura.
Permanente equivale a duradouro, e cultura deriva de agricultura.
Contudo, a cultura, no sentido pleno da palavra é o modo pelo qual a sociedade adapta a sua base de recursos, sua maneira de educar os filhos, seus valores, sua religião, sua cozinha, etc…
A permacultura envolve então todos os segmentos da nossa sociedade, como a agricultura, a horticultura, a arquitetura, as finanças, a arte, os transportes, a produção sem desperdicios, a reciclagem de materiais, etc.
Mas a permacultura só começa a funcionar onde existem professores compartilhando o conhecimento e uma gama de técnicas e informação. Nesse sentido, é preciso considerar paradigmas que estão intimamente ligados aos conceitos da nossa cultura em Witmarsum. Podemos dizer que existem duas posturas psicológicas diferentes frente a esses paradigmas, os pioneiros e os colonos.
Os pioneiros são aqueles com o espírito desbravador, que em nossa história Menonita conquistaram novas terras, construíram caminhos. Eles não tiveram medo de enfrentar o novo, de se arriscar. Os colonos, por sua vez, são aqueles que chegaram depois e ocuparam os locais descobertos pelos pioneiros, os colonos tem medo de aceitar novas ideias, e preferem pisar em terrenos conhecidos, seguros… a incerteza os assusta.
Cada um desses perfis tem sua função. Enquanto um descobre o caminho, o outro o segue e consolida. Entender esse pensamento é fundamental para a questão dos paradigmas e a necessidade de pioneirismo, no nosso contexto, por exemplo, a forma como produzimos nosso alimento.
Nós buscamos o bem estar coletivo da nossa comunidade, de Witmarsum, e temos muito que aprender. Temos que lutar para conquistarmos o coração pioneiro e o espírito permacultural – aquele de proteção ética de Gaia – dos nossos pais, irmãos, parentes, vizinhos, etc. E ao mesmo tempo, sabemos que não podemos cair na presunção de que podemos influênciar os políticos, o governo e as finanças com a permacultura. Porque, é evidente que o poder financeiro e esse modelo de lucro capital vão realmente destruir o mundo. Sabemos que nos próximos anos, a humanidade estará lançada à sorte.
Contudo, aqueles que trabalham com a permacultura, levando-a a sério, terão boas possibilidades de sobreviver. Afinal, é isso que está em jogo, nossa sobrevivência e de todas as gerações que estão por vir.
Mas, não se convence deprimindo. Temos que ser realistas quando formos ensinar permacultura. O que devemos trazer são as soluções para o amanhã. Quiçá a minha percepção romântica do amanhã seja a criação do Instituto de Permacultura do Paraná com um enfoque na formação de uma rede de permacultores, como uma a ferramenta para mobilizar projetos de pesquisa e educação em permacultura em nossa comunidade. Mas afinal, o que é essa tal rede?
“Uma rede é qualquer grupo de pessoas e/ ou organização que, voluntariamente, trocam informações ou bens ou implementem atividades conjuntas e que se organizam de tal modo que a autonomia individual permaneça intacta”.
A rede está sendo pensada e formalizada, na verdade ela já existe em um aspecto nacional e até internacional. Agora é preciso sistematizar a rede biorregionalmente.
E, por fim, gostaria de destacar a importância de se caminhar junto com parceiros e formar alianças para alcançar resultados positivos, pois estamos nessa peleja a algum tempo e muito da nossa luta tem haver com a característica dominante dos colonos, que possuem essa crença excessiva nos dados para alicerçar o novo, medo de arriscar e são cheios de preconceitos contra o papel da intuição de novas ideias.
Assim, o Coletivo BioWit está de coração aberto para receber aliados que desejem fazer parte dessa luta, porque queremos é agregar e somar pessoas para trazer soluções e construir juntos uma nova história de proteção ética junto a comunidade.
Se você é de Witmarsum e compreende a importância desse trabalho, associe-se ao coletivo!