Colônia Witmarsum / Economia Solidária / Orgânicos

O começo da produção orgânica na Colônia Witmarsum

A cada ano é maior o consumo de alimentos orgânicos. Mas, se comparada à produção da agricultura convencional, a produção orgânica ainda é pequena. Pois, se ainda hoje são muitos os obstáculos enfrentados por quem opta por esse tipo de produção, imagine como era difícil produzir orgânicos 13 anos atrás.

Colônia Witmarsum

Berthold Schröeder e esposa.

 

Para saber um pouco mais sobre isso, entrevistei o agricultor Berthold Schröeder, pioneiro na produção orgânica da Colônia Witmarsum. Segundo ele, a iniciativa de plantar orgânico na colônia surgiu há 14 anos, quando um grupo de agricultores formou a Associação Bioland – associação de agricultura ecológica. “Na época o interesse maior era a produção de leite orgânico, pois o retorno financeiro desse tipo de produção era alto” afirma. Ele ainda conta que, a associação chegou a procurar o governo do estado da época, para conseguir permissão de venda do leite orgânico, pois ainda não existiam normas regulamentadoras para esse processo.

Nesse período a Bioland tinha 23 sócios, mas hoje a realidade é outra. A associação se desfez e a marca Bioland passou a ser utilizada para comercialização do pó de rocha. Mas, Schröeder não desistiu e levou a ideia de produzir orgânico em frente. “Fiz vários cursos de plantação de orgânicos e de compostagem, por meio da Emater”, conta o agricultor.

No primeiro ano, plantou 40 pés de tomate em uma pequena estufa. De cada pé, Berthold colheu 8 quilos de tomate. “Se não tivesse acontecido isso, de colher 8 quilos por pé, acho que teria desistido e nunca mais feito”, relata.

No ano seguinte, o plantio de tomate foi atacado por fungos e começaram os problemas, “só que aí já estávamos no embalo e resolvi seguir em frente”, fala Schröeder. Hoje, a alimentação da família é composta em grande parte por produtos orgânicos. “De manhã no café, meu prato é verdura crua. Um prato cheio de verduras da época”, conta.

Sua esposa relembra o início da produção, “no começo as pessoas tiravam sarro da gente”, conta. E por isso a família tinha receio de começar a vender os produtos, também devido aos problemas de cultivo e de produção.

Até que um dia, Berthold foi procurado para fornecer produtos orgânicos para a cozinha de uma empresa da região. “Eu falei que o meu problema era de não ter continuidade, porque com a produção orgânica às vezes tem e às vezes não tem mais”, conta.

Mesmo assim a empresa quis fazer negócio, e para ajudar a escoar a produção, o agricultor conta que começou a oferecer os produtos para as donas de casa da comunidade. “Quando vendi os primeiros R$ 70,00 reais em uma semana, me impressionei, porque 12 anos atrás era bastante dinheiro, e depois disso não procurei mais freguês”, diz o agricultor.

Com o tempo, outras donas de casa tornaram-se freguesas. Até hoje, toda quinta feira ele liga para as donas de casa, oferece a produção da semana e entrega em domicílio. Além disso, participa da feira livre da colônia – que acontece nas manhãs de sábado, em frente ao mercado da cooperativa –, a cerca de três anos, o agricultor estendeu o atendimento para Curitiba, e uma vez por semana, ele e a família vendem seus produtos no bairro Xaxim.

Para Berthold plantar orgânico não é só saber de onde vem o alimento que vai para a sua mesa. “Eu quero ter ocupação se não a “ferrugem” pega, e tenho três funcionários que eu dou sustento para eles também”, ele ainda critica a agricultura convencional praticada hoje, “tudo isso que estão ‘socando’ no chão, compactando o solo é muito ruim, o agrônomo me explicou cada camada 5 cm mais ou menos do solo tem sua característica, sua vida, e se você entre com a enxada rotativa você faz uma baita de um confusão e demora tanto para se organizar de novo” enfoca.

Meio ambiente

Berthold conta que quando começou a produzir orgânico não se falava em preservação ambiental, e a produção orgânica visava simplesmente o lucro, pois tinha um melhor valor de comercialização no mercado. “Não se tinha nenhuma preocupação com o meio ambiente, só se tinha a noção que o produto orgânico é pequeno é feio e caro” destaca.

Mas, quando o assunto é preservação do meio ambiente hoje, Berthold já pensa diferente. “É necessário que a ‘turma’ se toque de uma vez. A reserva legal, por exemplo, é importante e você nem precisa fazer nada. Deixa o pedaço sozinho como eu tenho aqui, lá eu não mexo mais. A natureza se vira sozinha, só deixe ela em paz”, enfatiza e ainda complementa, “eu fico com raiva dessas grandes máquinas e pulverizadores, tratores que passam veneno, as pessoas só estão atrás de dinheiro”, finaliza Schröeder.

Seria cômico se não fosse trágico…

Os alimentos que recebem as maiores quantidades de agrotóxico são sem dúvidas o tomate e a batata. E o produtor convencional sabe o quão prejudicial é o alimento que ele vende (e que certamente vai parar na mesa do consumidor, você, diga-se de passagem!).

Só para ilustrar essa matéria fica aqui uma pequena história contada por Berthold durante a entrevista. “Certa vez visitamos um batateiro que tinha uma batatinha bonita e daí eu perguntei: ‘E essa dá para comer?’ A resposta: ‘Deus o livre, essa é só para vender’… e em outra parte da propriedade o batateiro tinha lá a hortinha dele só com produto orgânico” relata o produtor.

Serviço

Se você é adepto da economia solidária, se preocupa com a qualidade dos alimentos que vão para a sua mesa e mora em Curitiba ou quer conhecer a Colônia e voltar de lá com produtos orgânicos, entre em contato conosco pelos comentários ou pelo nosso email coletivowit@gmail.com e colocaremos você em contato com o Berthold para que possa fazer a sua encomenda.

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