Colônia Witmarsum / Cultura / Menonitas

Witmarsum e a saga dos menonitas

(texto escrito pelo amigo jornalista Luiz Manfredini)

 

‘é preciso conhecer de onde viemos, pois só assim saberemos para onde vamos’

A história é longa, remonta ao longínquo ano de 1525. Mas está na ponta da língua do técnico agrícola Heinz Egon Philippsen, que a expõe aos mais de quatro mil visitantes que anualmente passam pelo museu histórico da colônia Witmarsum, em Palmeira, nos Campos Gerais do Paraná. Num banner fixado na parede da primeira sala do museu, as principais datas da longa história dos menonitas, que fundaram esta e tantas outras colônias agropecuárias pelo mundo afora.

O acervo do museu é revelador: uma pequena colher presenteada pelo czar a um camponês em meados do século XIX, um relógio de parede de 1840 que ainda funciona, botas de feltro para enfrentar as nevascas russas, baús, samovares, louças, móveis, roupas, livros e cadernos, rádios antigos, gramofones, entre outros vestígios de uma saga mais que secular que trouxe os menonitas a Santa Catarina, depois ao Paraná.

Os avós de Heinz Philippsen estavam entre os 5.700 menonitas russos-alemães que deixaram a União Soviética em fins de 1929 e se espalharam pelo mundo. Talvez tenha sido essa a última grande movimentação de uma saga que vinha de séculos. Filhos da reforma protestante do início do século XVI, os menonitas devem sua designação ao ex-sacerdote católico Meno Simons, nascido em 1496, na cidade holandesa de Witmarsum.

Perseguidos na Suíça, Holanda e Alemanha, fugiram para a antiga Prússia e, por volta de 1780, evitando o serviço militar obrigatório prussiano, para o sul da Rússia. Ali permaneceram por cerca de 150 anos. Alemanha, Holanda, Suécia, Canadá, Estados Unidos, entre outros países, intervieram junto ao governo da União Soviética, pela liberação dos menonitas, que não viam possibilidade de subsistir naquele país mantendo seus princípios religiosos e comunidades próprias. De volta a Alemanha, receberam cidadania alemã e 1250 deles vieram para o Brasil.

No Vale do Krauel

Instalados em Santa Catarina, no vale do rio Krauel, a oeste do município de Ibirama, em 1930, ali formaram quatro colônias, uma delas denominada Witmarsum, que significa algo como “a casa do homem formoso da floresta”. Habituados as suaves estepes russas, onde plantavam trigo, estranharam a topografia acidentada do oeste catarinense que os obrigou a plantar milho e madioca com a tecnologia arcaica da enxada. Já em 1935 um grupo seguiu para Curitiba, onde viria a fundar a Cooperativa de Laticínios Clac. Em 1949, outro grupo transferiu-se para a região de Bagé, no Rio Grande do Sul. Dois anos depois, os que permaneceram no vale do Krauel procuraram outro destino. Além do relevo adverso, sentiam-se enfraquecidos com a saída dos grupos para Curitiba e Bagé e a instalação, na colônia, de estranhos as suas crenças.

Em torno de 70 famílias de Ibirama, e outras 15 vieram do Chaco paraguaio, adquiriram a fazenda Cancela, do Senador Roberto Glaser, entre Curitiba e Ponta Grossa, com recursos próprios e um empréstimo do Comitê Central dos Menonitas, sediado nos Estados Unidos. Chegaram em Palmeira em caminhões, a maioria levando apenas seus pertences pessoais. Outros vieram de Ibirama a pé, uma semana tangendo o gado. Continuavam pobres, mas cheios de esperanças. Dividiram a terra, dez hectares para cada família. Construíram suas meias-águas e se puseram a trabalhar. Em cinco anos já havia cerca de 150 famílias. Em 7,8 mil hectares (depois acrescidos 3,3 mil hectares) os menonitas dedicaram-se a pecuária e a agricultura, constituindo a Cooperativa Mista Agropecuária Witmarsum Ltda.

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Colônia Witmarsum, Palmeira – Paraná – 1953 – Foto: Frida Janzen

 

 

 

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