Colônia Witmarsum / Cultura / Menonitas

A saga dos menonitas

Peter Pauls: a missão de educar

Peter era o mais velho dos 11 filhos de Peter e Ana Pauls, menonitas russos que se estabeleceram em Ibirama, Santa Catarina, em 1930. Aos  15 anos os pais lhe disseram: “Não temos condições para mandar todos os filhos para a escola. Então vá você tirar um estudo e volte para ser professor dos seus irmãos”. A comunidade ajudou, sob o mesmo compromisso: voltar para ensinar os outros. Seis anos depois de estudar num seminário em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, Peter Pauls voltou e foi professor de todos os seus irmãos e de milhares de outros jovens até se aposentar, em 1989. Ainda assim, não se pode dizer que parou de ensinar.

Ao se formar, a família já havia se transferido para Witmarsum. Era 1959 e Peter tornou-se o primeiro professor nomeado pelo Estado na colônia, pois era o primeiro de nacionalidade brasileira. Lecionava em barracões de gado transformados em salas de aula, onde os alunos chegavam a pé, de bicicleta, de charrete, a cavalo, muitas vezes percorrendo dez, quinze quilômetros, pisando no barro, cruzando rios sem pontes. Mas chegavam. O próprio Peter fazia sacrifícios. Formou-se em letras germânicas pela então Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, viajando para as aulas quando podia, recuperando em casa, nos finais de semana, as lições perdidas.

De lá para cá Peter Pauls combinou atividades pedagógicas, intelectuais e de serviço social. Em 1960 criou o ginásio e, em 1975, o segundo grau em Witmarsum. Lecionava várias matérias, auxiliado por professores de Curitiba, Ponta Grossa e Palmeira. Esteve 14 vezes na Alemanha, sempre a convite e para estudos, e pesquisou, estudou e proferiu palestras nos Estados Unidos e no Canadá. Em 1977 lançou o primeiro livro, em alemão, com a história de Witmarsum. Seguiram-se mais cinco, abordando sobretudo a trajetória dos menonitas (sobre o qual tornou-se autoridade), além de artigos e reportagens sobre temas brasileiros para jornais da Alemanha, Canadá e Brasil. É o intelectual de Witmarsum.

A Associação Menonita Beneficente (AMB) nasceu em 1988 para, nas palavras de Peter, “ajudar a si próprias”, além de difundir o evangelho. “Senti que Deus me chamou para essa missão”, diz. A associação promove amplo trabalho social, que envolve o apadrinhamento de crianças, famílias e alunos, distribuição de roupas e refeições, mutirões para construção de casas, orientação para produção agropecuária, criação de clubes de mães, curso bíblico por correspondência, entre outras iniciativas com o objetivo de incluir os mais necessitados de várias localidades do Estado nos benefícios do desenvolvimento.

Escrito pelo Jornalista Luiz Manfredini

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