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Um pouco sobre o Jornalismo Ambiental no Brasil

Com o intuito de democratizar e aprimorar informações sobre meio ambiente, na década de 1960, junto com o surgimento de uma consciência ambiental global chamado por Grün de “ecologização da sociedade”, surge o jornalismo ambiental.

De lá pra cá, matérias com “apelo verde”, por assim dizer, que aparentemente focam preservação do meio ambiente, sustentabilidade, pipocam pela mídia. O problema é que falta uma reflexão sobre a qualidade das informações ambientais repassadas pela imprensa.

Nas palavras de Roberto Villar Belmonte: “O Meio Ambiente é pauta, mas em geral ocupa espaços periféricos e recebe uma abordagem exótica. As reportagens quase sempre são fruto do interesse e da curiosidade do próprio jornalista. Dificilmente resultam de uma decisão das chefias, pois o status editorial ainda não é proporcional ao tamanho da crise ecológica do planeta” (VILAS BOAS et al. 2004, p.22).

E como se não bastasse jornalismo ambiental é em sua maioria uma “estetização/idealização da natureza, forjando-se maniqueísmos ingênuos e falsas dicotomias” como afirma Eduardo Geraque “Uma cobertura recorrente, aprofundada e multifacetada simplesmente inexiste. Há poucas exceções, e elas geralmente aparecem em cadernos especiais de jornais ou em reportagens de revistas especializadas”. (GERAQUE apud VILAS BOAS et al 2004, p.10)

É visível a falta de profundidade nas matérias sobre Meio Ambiente, e deve-se isso à complexidade desta área de atuação e às dificuldades enfrentadas no jornalismo por ter que apresentar a relação do meio ambiente com fatores econômicos, políticos, culturais e sociais geralmente em um curto espaço.

O fato é que se tem a impressão de existir certo preconceito por parte dos veículos com os jornalistas ambientais. E mesmo que, em todo o país exista simpatizantes à causa ambiental, não admitem isso publicamente para não serem motivo de chacota, sendo tachados de “ecochato”.

Assim, cobertura ambiental qualificada acaba tendo pouco espaço nos veículos de comunicação das principais cidades do país. Seja para falar dos problemas ambientais ou para apontar soluções que possam dar novas possibilidades para população na maneira que se relacionam com o meio. (VILAS BOAS, 2004).

Para Urban ([ca.2000]) isso ocorre porque “os estudantes de Comunicação não recebem sequer noções básicas de Ecologia” . E também porque o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros – que tem como referência a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 – não aborda os temas ambientais inseridos em dezenas de outras Declarações e Cartas de âmbito planetário, desconhecidas dos profissionais e, conseqüentemente, do público.

Para Urban o grande questionamento é: “como será possível capacitar a sociedade (…) se a principal fonte de formação da opinião pública – os meios de comunicação – trata do tema de forma fragmentada,pontual e isolada?

O que pode ser feito para combater essa falha do jornalismo? Uma das possibilidades é colocar em prática a multidisciplinaridade nas instituições de ensino como forma de diminuir essa limitação. Urban ainda fala na promoção de debate sobre as grandes diretrizes planetárias e sobre questões éticas modernas, realizado de modo a integrar diferentes áreas de conhecimento, poderiam preparar futuros profissionais e futuras fontes para um convício mais adequado.

Pois o papel do Jornalismo Ambiental além de provedor da discussão sobre a problemática crise ambientalista que a sociedade está inserida, deve ser também uma ferramenta de educação ambiental. Aqui se concorda com as palavras de André Azevedo da Fonseca quando este afirma: “Se a imprensa quer mesmo ser relevante, deve encarar sua responsabilidade em participar ativamente na formação ambiental do cidadão, não apenas nas calamidades, mas sobre tudo no dia-a-dia (…)”, pois é fundamental que seja feito um jornalismo ambiental que informe sem superficialidade.

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One thought on “Um pouco sobre o Jornalismo Ambiental no Brasil

  1. Muito pertinente seu texto, Rafaella! Parabéns! Concordo em absoluto, sobretudo com a ideia de que a abordagem do meio ambiente como um tema transdiciplinar é fundamental para superar esse jornalismo ambiental que mais poderia ser chamado de jornalismo de tragédias ambientais. O alcance midiático é grande demais e as coberturas devem ser pautadas pelo verdadeiro interesse público.

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