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Polêmicas, reflexões e esperanças…

Dia desses, umas das nossas publicações no Facebook  gerou polêmica e uma certa revolta em algumas pessoas, comentário vai, comentário vem, alguém falou “hoje as pessoas deixam o campo, vendem suas terras…”. E aí me perguntei e perguntei pra pessoa: “você já parou pra pensar o porquê desse jovem ir embora do campo e na maioria das vezes não voltar?” .

Vou contar uma breve história: Eu nunca trabalhei na lavoura, mas meus pais sim… E eles desistiram sabe por quê? Eles começaram a se questionar porque a cada lavoura precisavam comprar cada vez mais insumos agrícolas para produzir a mesma ou em quantidade menor do que na safra anterior, além disso, a cada ano era um novo financiamento. Cada vez que a safra não era boa, era uma dívida a mais que se acumulava,  numa tentativa de pagar as contas e colocar comida na mesa, meu pai ia mais uma vez ao banco, mais um financiamento e mais insumo… Só que uma hora ele simplesmente faliu. Como acontece com tantos outros agricultores Brasil afora.

Depois de vender praticamente tudo que tinha, pra pagar o que conseguiu das suas dívidas, meu pai não quis mais saber de agricultura… Eu vi tudo o que aconteceu com ele e, simplesmente não quero isso pra mim e nem pra minha família.

Veja bem, não estou dizendo que não quero ser agricultora, apenas que quero uma agricultura diferente da convencional. Quando nos juntamos como coletivo, foi com o intuito de achar alternativas para que tantos outros agricultores não tomassem o mesmo rumo do meu pai, e de tantos outros pais, foi para buscar alternativas de plantar, produzir, ter uma fonte de renda para sustentar suas famílias. E que bom se pudéssemos ter isso de forma saudável, consciente de que eu, você e nossas famílias se alimentam e vendem um produto que não prejudica a saúde de ninguém.

Sei que as vezes algumas de nossas postagens são de fato agressivas e incomodam muita gente, igual ao elefante, mas a ideia do coletivo é promover a discussão saudável sobre agricultura, para que assim homem, natureza e agricultura consigam conviver em harmonia.

É fato que alguns agricultores seguem orientações de um eng. agrônomo. Mas sei também que há casos como o de um eng. agrônomo, que receita insumo pra lavoura dos agricultores da comunidade, mas para a alimentação dele e da família vai buscar alimento orgânico com um dos poucos agricultores de Witmarsum que não usam veneno. Não é estranho isso?

Não temos a intenção de ofender ninguém. Só queremos que as pessoas, agricultores ou não, pensem no problema apresentado. Porque, vou te dizer uma coisa, eu não sou de Witmarsum, mas gosto de lá como se fosse, e acho triste olhar para aquela terra que a cada dia recebe uma porção a mais de veneno, porque na minha opinião adubo químico é veneno, e de tempos em tempos perde moradores (coinscidentemente agricultores) vítimas de câncer (porque será?), ou então que vendem tudo pra pagar dívidas e vão embora, ou saem para estudar e não voltam. Já tive a oportunidade de ficar tempo o suficiente pra sentir o cheiro de veneno em vários lugares de Witmarsum, é muito triste.

E do fundo do meu coração, espero que o dia em que eu for me estabelecer em Witmarsum, porque essa é minha vontade, ainda haja tempo para fazer diferente, para colocar em prática a agricultura alternativa que vim buscar e aprender aqui fora!
Espero que ao ler este texto vocês reflitam tanto quanto eu refleti ao escrevê-lo. Até breve!

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2 thoughts on “Polêmicas, reflexões e esperanças…

  1. Realmente Rafaelle, é para refletir!
    Embora as pessoas resistam as mudanças, essas mudanças estão acontecendo aos pouquinhos. Por outro lado, sempre tenho a impressão que somos considerados loucos porque estamos buscando alternativas para ajudar as pessoas de Witmarsum.
    Mas a maior insanidade é viver uma vida de mentiras, tentando enganar a sí próprio e a Deus que veneno é bom usar e vamos usar transgênicos pois produz mais, então precisa sempre de mais terras, porque precisa produzir mais leite, daí tem que ter mais pasto, as vacas vamos confinar elas e tudo bem, pois são vacas, elas não se importam mesmo de viver confinadas, assim é nas granjas de galinhas que vão a todo vapor, sempre mais hormônios na ração para engordar e crescer mais rápido, pois assim vamos ganhar muito dinheiro. Porque, no final, só pensamos no dinheiro! O mundo é assim, porque vamos ser diferentes?
    Eu lhes digo porque vamos ser difrentes: Todos nós somos parte da terra! Uma passagem bíblica onde Deus disse “cuida da terra e dos animais”. Essa é nossa responsabilidade ética! Quando fazemos isso, só isso já garante nossa sobrevivência e somos abençoados, pois “tudo mais ELE fará”.

    Cartilha Plantando o Amanhã

    https://docs.google.com/file/d/1tm8ZVeFUifJ9rakQGjZkKq7C0tXoWZ-nmrxMU9f_6PtNSJYpDQ2osM9ObcpM/edit?pli=1

  2. Seu comentário é mais do que lúcido. Mesmo quem não participa diretamente dos trabalhos da terra mas que tem um pouco de visão observa na prática tudo que voce relatou. Acredito que mudanças terão que acontecer. Graças ao sistema falido em que vivemos temos hoje uma população predominantemente urbana (a primeira vez que isto acontece na história moderna) com todo o caos que isto gera.
    Tenho acompanhado as discussões (e até participado) no facebook e sinto a revolta daqueles que estão inseridos no agronegócio, que gera polpudos rendimentos com exportação. Mudanças sempre são difíceis, sacrifícios muitas vezes são inevitáveis, mas quando a sobrevivencia esta em jogo (digo do planeta) não resta outra opção a não ser mudar.
    Parabenizo voces que são jovens com cabeças arejadas e que muito ainda tem a contribuir para a sociedade com o magnífico trabalho que se propõe a fazer.

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