Consciência

Você também pode!

Que agricultura precisa alimentar um montão de gente é fato! Em verdade,  a população humana cresce a cada instante e junto, cresce a necessidade alimentar, a desigualdade social e o fim de muitos recursos naturais.
Os agricultores e todos aqueles que cultivam a terra são a chave mais importante dessa questão. Olhar para a agricultura é ‘o pulo do gato’ para quem observa o que está por vir. Assim, estão lançados os desafios do futuro!
Como vamos produzir alimento para uma população que será mais de 10 bilhões em 2050?
Inicialmente, seria interessante pensar como anda a atual distribuição de toda essa produção de alimento, ou seja, quem produz o que, e para onde vai toda essa produção? Será que o atual modelo agricola está alimentando direito a população humana?
De acordo com o censo do IBGE de 2010, a agricultura camponesa produziu 70% do alimento consumido no Brasil, fez (e faz) isso  em pequenas áreas, com cultivo diversificado e normalmente sem insumos químicos. Tudo isso, foi comercializados por meio de feiras, economia solidária e diretamente do produtor.
Ainda segundo o IBGE, a agricultura do agronegócio produziu apenas 30%  de alimento para os seres humanos. O restante tem os mais diversos fins, como, por exemplo, para produzir biocombustíveis ou fazer ração animal.

TABELA – Diferenças entre Agricultura Camponesa e Agronegócio

1236099_555355161203869_243818225_nFonte: IBGE

Entretanto, acredito que o maior desafio seja produzir alimento livre de veneno. Afinal, as pessoas que comem colheitas envenenadas, consequentemente comem plantas doentes e também se tornam doentes.
Em seguida, nesse diálogo, ouvimos aquela história dos ‘ecochatos’ e ambientalistas querendo preservar tudo. Acontece que a luta dessas pessoas é importante para a sobrevivência humana! Proteger a terra da ganância do homem é preciso! Nesse sentido, precisamos observar as formas de vida que vivem uma relação de simbiose (ajuda mútua) com a natureza e compreender a ligação e a permanência dos seres humanos com a terra. Surge aqui uma nova visão das pessoas fazendo parte do ecossistema, de povos construindo uma trama de co-criação juntos com a natureza.
Mas o que tem haver isso com produzir alimento?
Bom, por exemplo, foi dito esses dias que o agricultor sabe a importância de preservar a natureza. Contudo, me parece que nem sempre foi assim e para evitar maiores catástrofes ambientais, como perda da biodiversidade por exemplo, em 1965 criou-se no Brasil  o  Código Florestal, que definiu até recentemente onde é possível fazer agricultura e onde devemos deixar a natureza, digamos assim, ’em paz’. Acontece que hoje não fazemos direito nem uma coisa, nem outra. Se por um lado são cobradas rígidas regras da lei para a conservação da natureza e áreas protegidas, por outro lado, a agricultura convencional pode continuar ‘destruindo a natureza’ com sua ‘guerra química’, monocultura e pasto, sem sofrer punições legais. Tudo porque esse modelo é a base da política de desenvolvimento agrícola adotada no país.
O pequeno agricultor familiar se torna ilegal com práticas alternativas e de uso sustentável, enquanto o grande latifúndio, no âmbito do agronegócio, é venerado como o carro chefe da economia.
Assim, o que resta saber é como podemos encontrar a sustentabilidade do agricultor em sua terra, na lógica que ele viva dignamente e economicamente bem, ao mesmo tempo que esteja protegendo e conservando a natureza, além de alimentar sua família e as pessoas com comida saudável. E desse jeito consiga garantir sua saúde, segurança e soberania alimentar e a de bilhões de pessoas???
Diante dessa questão,  devemos primeiro considerar que a agricultura convencional é depende de um sistema de alta utilização energética ou abuso de recursos naturais finitos, como o petróleo e alguns adubos a base de NPK que tem garantido data para acabar. Enquanto isso, a população mundial está crescendo, e adoecendo, porque consume alimentos criados a base  de uma ‘bomba de coquetel químico’. Já o governo, gasta mais a cada ano com atendimento hospitalar para seus doentes, e o número de desabrigados ou refugiados ambientais está aumentando gradativamente, assim como a fome no mundo (porque o alimento não chega para os pobres) em meio a um sistema falido.

Ademais, se toda forma de vida precisa da água ou da floresta para existir, se toda pessoa precisa de alimento para o coração bater, pergunto: Como vamos viver se a agricultura do agronegócio precisa derrubar floresta e contaminar a água/solo para produzir alimento?

Daí a importância de uma educação que fale sobre a ética de proteção da terra! A pergunta que devemos fazer é: Nosso modo de produção é ético?

Exemplificando; seria ético justificar o uso de agrotóxicos e suas consequências, já comprovadas, para a saúde humana porque esse modelo é o único que dizem  “suprir” a demanda de alimento necessário para o mundo? (como se fosse um mal necessário para combater um mal ainda maior).

Deixando de lado todo o pragmatismo dessa discussão, e principalmente o ceticismo do agronegócio que contesta formas alternativas de produzir alimento, nós desejamos chegar no ano de 2100, produzindo comida em abundância, sem agredir a natureza ou ferir a saúde de pessoas inocentes.
Não estamos falando de sonhos utópicos. Estamos focando nas próximas gerações,  porque é preciso pensar no futuro dos nossos filhos, em um mundo que se deseja culturalmente diverso, politicamente correto, ambientalmente saudável, socialmente justo e economicamente viável.
Essa história está sendo construída nesse momento, e nós fazemos parte coletivamente ou individualmente dela. Cada um em sua casa, em seu bairro, rua ou comunidade contribui todos os dias, de alguma forma positivamente ou negativamente com a existência da vida no planeta.

Algumas atitudes como, agir localmente, plantar regionalmente, consumir produtos locais e sobretudo, consumir com consciência, são decisivos nesse momento.

COLETIVO

Acima de tudo, viver em harmonia com a natureza é possível porque nossas ações são guiadas por Deus. Porque escolhemos ver com nossos olhos a verdade, para não cair na tentação da avareza do ‘Deus’ consumo (que tantos idolatram) e sim, viver uma vida simples e coerente com nossas ações como co-criadores desse planeta.  É assim que queremos viver!

Faço votos que o amor seja a energia para nossas ações diárias.

Cuidar da terra e das pessoas você também pode!!

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One thought on “Você também pode!

  1. Os críticos da agricultura orgânica também atacam a sua produtividade. De acordo com eles, se fosse possível forçar a implementação da agricultura orgânica no mundo inteiro, faltariam alimentos para a atual população mundial – fazendo com que uma parcela significativa da população mundial (justamente a parcela mais pobre dela) morresse de fome. Já os proponentes da agricultura orgânica dizem que esta alta produtividade é resultado de décadas de pesquisa científica e de extensão rural (pagas em sua maior parte pelos contribuintes. Dizem também que a agricultura orgânica deverá aumentar sua produtividade para níveis semelhantes ao da agricultura convencional se valores semelhantes de tempo e dinheiro forem investidos com a abordagem da agricultura sustentável. (Para um aprofundamento nessa questão, ver o artigo revolução verde ).

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