Biblioteca / Colônia Witmarsum / Jardins Comestíveis / Paraná / Permacultura / Ponto de ônibus

Amigos criam pontos de ônibus com jardins, bancos e biblioteca no Paraná

Fonte: Alana Fonseca – G1 PR

Colônia Witmarsum

A ideia de um grupo de amigos promete melhorar a vida de moradores e turistas que pegam ônibus na Colônia Witmarsum, em Palmeira, na região dos Campos Gerais do Paraná. No lugar, não há pontos para os passageiros aguardarem. Então, eles criaram um projeto que vai revitalizar quatro espaços com bancos para até seis pessoas de materiais reutilizados, jardins comestíveis e minibibliotecas.

O objetivo é tornar a espera pelo transporte coletivo – utilizado por 40% da população – uma experiência mais agradável. A ideia surgiu há mais ou menos seis meses, após algumas conversas informais com os colonos. Eles reclamam da falta de lugar para repousar e também das poucas informações sobre horários e itinerantes.

Colônia Witmarsum

Bancos devem ser colocados em quatro pontos da colônia (Foto: Coletivo BioWit/Arquivo pessoal)

A colona Romila Lederer Balzer, de 42 anos, conta que ficou empolgada com o projeto. A agropecuarista diz que ela e a filha, que estuda em Curitiba, utilizam sempre o transporte coletivo.

“Hoje, nós não temos nem lugar para sentar. Também temos que ficar no sol e, às vezes, até na chuva. Sem contar o vento forte que bate”, diz.

Para Romila, a revitalização, além de útil, vai deixar a colônia ainda mais charmosa.

Coletivo BioWit
Os 10 amigos que tiveram a ideia integram a associação BioWit, um grupo que busca ações práticas para viver de maneira mais simples e em harmonia com a natureza. Nove participantes são da Colônia Witmarsum e seis ainda moram lá.

A única integrante de fora é a jornalista e permacultora Rafaelle Mendes, de Curitiba, que, assim como os colegas, garante que é apaixonada pela região. “É um lugar que tem que ser preservado pela sua cultura incrível e pelas pessoas maravilhosas”, acredita. Segundo ela, os amigos que não moram mais lá fazem planos de, um dia, voltar a viver na colônia.

Colônia Witmarsum
A Colônina Witmarsum foi fundada na região dos Campos Gerais em 1951 por imigrantes menonitas da Suíça, Holanda e Alemanha. Hoje, a comunidade tem cerca de 2 mil habitantes, que vivem em uma área de quase 8 mil hectares. A maioria tira o sustento da agricultura familiar de modelo empresarial, sendo a pecuária de leite e carne a atividade mais praticada na colônia.

Além do português e do alemão, os colonos falam um dialeto chamado plautdietsch. Os moradores de Witmarsum tentam manter a sua cultura viva através de um grupo folclórico, corais, artesanatos, comidas típicas, arquitetura, uma escola de música, um grupo de teatro, um colégio estadual com aulas em alemão, além de um museu. Tanto amor e dedicação às tradições atraem milhares de turistas para a colônia no Paraná todos os anos.

Colégio estadual em Witmarsum

Colégio estadual em Witmarsum tem aulas em alemão (Foto: Rodolfo Buhrer/Agência La imagem)

Projeto financiado por todos
Pensando em melhorar a qualidade de vida dos colonos e, ao mesmo tempo, incentivar o turismo na colônia, o pessoal do Coletivo BioWit desenvolveu o projeto “Em Witmarsum, esperar o ônibus é cultura”.

A reforma proposta se baseia nos 12 passos da permacultura, que cria ambientes humanos sustentáveis. Um dos princípios, por exemplo, é usar e valorizar serviços e recursos renováveis.

De acordo com Rafaelle, o projeto foi dividido em quatro ações e, para que seja totalmente executado, o grupo precisa arrecadar R$ 16 mil. O valor é necessário para comprar os materiais e as ferramentas, construir os bancos e as coberturas, criar os jardins comestíveis e adquirir as mudas, entre outras coisas. Então, os amigos começaram, há cerca de um mês, uma campanha de financiamento coletivo.

Grupo precisa arrecadar R$ 16 mil para concluir projeto (Foto: Coletivo BioWit/Arquivo pessoal)

As colaborações são feitas através do blog do Coletivo BioWit. A pessoa colabora com a quantia que quiser e ainda recebe recompensas: potes de sementes, cartões postais, mudas de araucária, camisetas e inscrições para oficinas.

As trocas dependem do valor doado. Para a primeira etapa, eles já conseguiram arrecadar os R$ 1,5 mil necessários e um ainda mais um pouco.

Entretanto, ainda faltam mais de R$ 14 mil e você pode doar clicando aqui:
Sem título

Ações

Neste primeiro momento, o dinheiro está sendo utilizado na construção dos quatro bancos que reutilizam bobinas usadas e pallets. As bobinas foram adquiridas com parte do recurso arrecadado e os pallets foram doados pela Cooperativa Mista Agropecuária de Witmarsum. A construção dos bancos ocorreu no sábado (25) e contou com a ajuda da comunidade, que foi orientada por dois arquitetos e urbanistas.

Primeira etapa do projeto abrange a criação de jardins comestíveis (Foto: Coletivo BioWit/Arquivo pessoal)

Primeira etapa do projeto abrange a criação de jardins comestíveis e a construção de mobiliário (Foto: Coletivo BioWit/Arquivo pessoal)

Na primeira parte, também está previsto o investimento do dinheiro arrecadado nos jardins comestíveis para os quatro pontos de ônibus. Cada um vai ter árvores frutíferas nativas, flores, hortaliças e plantas medicinais.

“As pessoas vão conhecer a pulmonária, uma planta que pode ser servida à milanesa, por exemplo”, explica.

Segundo Rafaelle, materiais informativos, com dicas assim, vão estar nos pontos.

“O que eu mais achei legal no projeto é fato de eles reutilizarem materiais que iriam para o lixo”, afirma Dagmar Simone Janzen Lemos, de 41 anos. A artesã, que diz preferir andar de ônibus a dirigir, acrescenta que está muito curiosa para ver os jardins comestíveis. “Nunca tinha ouvido falar antes”, confessa.

Na segunda etapa, está prevista a construção de quatro coberturas com base nas técnicas de construções naturais e a criação de um acesso para deficientes. O terceiro período abrange a elaboração de um espaço para emprestar livros e outros materiais informativos no tempo de espera pelo ônibus.

Ainda na terceira fase, o grupo pretende disponibilizar um espaço que informe itinerários e horários. Na última ação, o objetivo é divulgar o projeto pronto e dividir a experiência com as outras pessoas.

Entrega
A entrega dos pontos de ônibus prontos ainda não tem uma data definida. De acordo com o grupo, a conclusão do projeto depende das doações. Eles torcem para que seja logo.

“Aqui, em Witmarsum, sempre foi assim para nós, para nossos antecedentes e para todo o resto: o que não temos e precisamos, damos um jeito de conseguir por meio de ações solidárias”, diz o permacultor e gestor ambiental Martin Ewert, de 31 anos.

Colônia fica na região dos Campos Gerais do Paraná (Foto: Coletivo BioWit - Arquivo pessoal)

Colônia fica na região dos Campos Gerais do Paraná (Foto: Coletivo BioWit – Arquivo pessoal)

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s