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E por achar que está tudo bem…

Please-i-am-really-very-sorry

Eu sou um ser humano, homem, heterossexual, branco, cristão, lá pelos trinta anos de idade, em perfeitas condições físicas, não sou pobre, sou formado, nunca me faltou trabalho, creio até que não sou feio e que sei ser simpático quando precisa.

Gosto de quem eu sou, não me entenda mal, mas tem horas que sinto uma vontade imensa de pedir desculpas ao mundo.

Pedir desculpas como ser humano, a todos os animais, por trata-los como um recurso ou como brinquedo, pelos abusos, pelos circos e zoológicos, pelos assassinatos, por não nos importarmos, não olharmos nos olhos, não nos perguntarmos se não há como ser diferente e por achar que está tudo bem.

Pedir desculpas à natureza, por achar que somos proprietários e não percebermos que somos parte, por não cuidar da água, das matas, do ar, e por achar que está tudo bem.

Como homem, queria pedir desculpas à todas as mulheres, por tratarmos vocês como algo a ser consumido, pelos olhares, os comentários, por fazermos vocês andarem com medo na rua, por não valorizar, por não tentar entender, e por achar que está tudo bem.

Como heterossexual queria pedir desculpas a todos que não são, pelas piadas, por todos os termos pejorativos, pela falta de respeito, por sermos incapazes de conviver ou tentar entender, por tratarmos vocês como se vocês tivessem alguma espécie de doença maligna contagiosa e por achar que está tudo bem.

Queria pedir desculpas aos negros, aos índios, aos asiáticos por todas as vezes que eu achei que a sua cor significava algo diferente do que uma coloração, e por achar que está tudo bem.

Como adulto na flor da idade quero pedir desculpas imensas aos idosos pela falta de paciência, por não saber valorizar a sua sabedoria, pelo abandono, e por achar que está tudo bem.

Às crianças, quero pedir desculpas por todas as vezes que achamos não ter tempo, por tentar compensar a falta de amor com bugigangas, pela falta de paciência, pelos abusos, e por achar que está tudo bem.

Àqueles que têm alguma deficiência física, e também aos que não se encaixam no perfil estético tolerado, peço desculpas pelos olhares de dó, pela distância, e por achar que está tudo bem.

Aos pobres, aos desempregados, desabrigados e fodidos, peço desculpas pela caridade impessoal e arrogante, por todas as vezes que pensamos “não é problema meu”, e por achar que está tudo bem.

Como cristão tenho muito a pedir desculpas, por todas as vezes que nos achamos melhores, por não ouvirmos quem pensa diferente, por todas as vezes que esquecemos ou não conseguimos entender aquilo que Cristo nos ensinou, por nos prendermos a detalhes insignificantes e esquecermos do principal, por nos esquecermos de amar o próximo, seja ele quem for.

E por acharmos que está tudo bem.

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