Zonas e Setores

Este texto pretende contribuir no entendimento do que vem a ser o design de propriedades rurais sustentáveis, a partir de princípios da permacultura. O objetivo é apresentar ao leitor informações sobre algumas soluções alternativas que visam criar um agroecossistema pensado a favor do homen, da natureza, dos animais e dos recursos energéticos (alimento, água, luz, solo, etc.). Vale dizer que para abordar todas as técnicas e métodos usados como ferramentas para a transição agroecológica de uma propriedade seria preciso um livro inteiro, o que se fez aqui é apenas um primeiro passo.

Todavia, na permacultura encontramos as respostas para um sistema de design pensado na eficiência energética da propriedade, que se fundamenta na ética de proteção da terra. Embora, para muitos a permacultura possa parecer um retrocesso tecnológico que condiciona trabalho manual intenso devido ao uso de ferramentas de mão, como, por exemplo, facão, foice, machado, enxada, carrinho de mão, etc. A intencionalidade é reduzir intervenções na propriedade ou fazê-las inteligentemente. Isso não significa que utilizar pontualmente ferramentas ou tecnologias que facilitam o trabalho – como pequenos tratores, roçadeiras, moto-serras – sejam proibidos,  ou seja, o uso moderado dessas máquinas se justifica.

Entretanto, deve-se ter em mente que isso exclui a maquinaria pesada usados em sistemas agrícolas convencionais, dependentes de altos consumos energéticos (combustíveis fosseis, adubação química, etc.) e que freqüentemente são acompanhados de inúmeros problemas sociais e ambientais (erosão, doenças, fome, miséria, contaminações, pragas, etc.).

A prioridade é criar um design da propriedade de forma que, a conexão entre os elementos possa aumentar os recursos naturais, suprindo a necessidade energética do lugar a partir do melhor aproveitamento espacial e em sinfonia com o trabalho humano, este podendo incluir amigos ou vizinhos contribuindo assim com a integração comunitária do lugar. Em outras palavras, significa construir um ambiente sustentável a partir da porta da sua casa, com o uso eficiente dos recursos naturais em sua volta dentro de um sistema intensivo de pequena escala, projetado sempre para produzir mais alimento humano e animal que seria encontrado de maneira natural, chegando, por fim, a atingir um plano maior de organização cooperativa em uma comunidade, ou até em níveis maiores como lembra o permacultor Sérgio:

“As estratégias de design da Permacultura não existem apenas para o planejamento de propriedades abundantes em energia – este é apenas o primeiro nível de ação do permacultor. É possível desenhar também sistemas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio e finanças, distribuição de terras, comunicação e governança, entre outros, para criar sociedades prósperas, cooperativas, justas e responsáveis. O sonho é possível: a ética cria possibilidades de consensos, coordena ações, coíbe práticas nefastas, oferece os valores imprescindíveis para podermos viver bem”. (Sérgio Pamplona, 2011)

De modo geral, existem muitas maneiras de iniciar o planejamento do design da propriedade, o que se deve ter em vista é o processo continuo que um bom design exige. Todos os planejamentos do design de uma propriedade vão passar por muitas mudanças à medida que evoluem com a prática de feedback´s positivos.  A observação nesse estágio é fundamental

– observe e interaja –

afinal, ler a paisagem é identificar todos os recursos do lugar e saber o melhor jeito de usa-los a seu favor.

Um bom caminho para se iniciar o projeto de design é o planejamento de zonas e setores da propriedade. Tudo começa com a observação do lugar, por exemplo, a localização do sol em diferentes estações do ano, por conseguinte as intervenções iniciam na área mais próxima da casa. Uma vez que a casa é a Zona 0, a área em volta da casa será sempre sua Zona I, e assim sucessivamente de acordo com o posicionamento dos elementos e a freqüência que são visitados ou utilizados. De maneira geral, as zonas são organizadas conforme o número de vezes que precisam ser visitadas, ou o número de vezes que determinados elementos nessa zona precisem da visita. A última é a Zona V, com sua principal característica a conservação, nesse local não se faz intervenções ou qualquer tipo de manejo.

Fonte imagem: http://permaculturabrasil.blogspot.com.br/ citado por http://gaiaagroecologia.blogspot.com.br/2011/04/permacultura.html

Os elementos executam diversas funções e devem ser compreendidos, sobretudo, entre seus relacionamentos, de maneira que um elemento complemente o outro. Isso significa que a posição de cada elemento depende da sua função e no maior número de interação possível entre os elementos. Por exemplo, a vaca é um elemento que precisa de água, comida, sombra e sua função é produzir o leite, tração animal, e o adubo, por tanto, possui funções que estão associadas a outros elementos e estes devem interagir entre sí e com a vaca. Já os setores dizem respeito a todas as energias que não se podem controlar, tais como o sol, a chuva ou relações hidrográficas, o vento, etc.

 

Cada design terá caracteristicas únicas que dependem de diversos fatores relacionados ao objetivo da propriedade, a questões de clima, relevo, solo, disponibilidade de água, etc. O importante nessa fase do planejamento é compreender toda sinergia do agroecossistema e como se beneficiar inteligentemente dos recursos encontrados na propriedade. As estratégias e técnicas que serão adotadas em cada propriedade podem variar de acordo com as condições do local, contudo, existem leis e princípios que são adotados em qualquer clima ou condição cultural, por exemplo, cada elemento (casa, tanque de peixe, estrada, agrofloresta etc.) é alocado em relação ao outro, para que haja ajuda mútua entre esses elementos, ou outro princípio é  que cada elemento execute pelo menos duas funções no sistema, e para tanto, este elemento deve ser colocado no lugar certo.

Para ilustrar melhor, apresentamos outro modelo de design que foi desenvolvido pelo permacultor Gardel Silveira no sítio Curupira localizado em Santo Amaro da Imperatriz/SC.

Recomendamos a leitura do livro ‘Introdução a Permacultura’ de Bill Mollison para um estudo mais aprofundado sobre as técnicas e práticas de design que melhor se adaptam a cada situação. Neste livro são apresentados aspectos importantes para o plamejamento de diversos elementos. Todas as propriedades rurais deveriam ser projetadas observando atentamente o design  sustentável proposto na permacultura, porque está mais que comprovado por meio de infinitas experiências no mundo todo que estes princípios são a grande revolução na atual crise planetária.

Precisamos projetar as nossas propriedades de forma inteligente, produzindo a energia e o alimento que necessitamos junto com a natureza e não contra ela!!!

 

O planejamento permacultural da propriedade é elaborado de acordo com a definição de zonas que se caracterizam pelo posicionamento dos elementos, de acordo com a quantidade e a frequência em que serão utilizados, ou que necessitam de visitas.

Sabendo disso, temos como exemplo um desenho do design da estação de permacultura que fica em São Pedro de Alcantra/SC, chamada de Yvy Porã

Yvy Porã

Fonte: Yvypora

É importante ter em mente que a prioridade de desenvolvimento deve ser para a área mais próxima da casa, pois a escolha dos elementos inseridos nas zonas pode variar de acordo com a necessidade de cada permacultor.

Zona 0 – (Centro da energia) É o centro da atividade, normalmente é o local onde a casa está. Seu planejamento deve ser feito de forma que a utilização de espaço seja eficiente, ajustando-se a necessidade de seus ocupantes e que tenha recurso paracontrole de temperatura, se adequando assim a região.

Zona 1 – Será a região próxima a casa. Nela pode se colacar os elementos que sejam de mais utilidade e, ou necessitem de maior cuidado e controle. Exemplos de elementos que podem ficar nessa área, pequenos animais, área para secagem de grãos, varal para roupas, pequenos arbustos, além do jardim, estufa e viveiro e canteiros.

Zona 2 – Mesmo que um pouco distante da casa, esta é uma região mantida com certa intensidade. Pode apresentar um plantio denso, isto é, pomar, arbustos maiores e quebra-ventos. A zona dois pode ainda abrigar tanque ou açudes, animais de pequeno e médio porte.

Zona 3 – Distante da casa, essa zona pode apresentar criação de animais de médio e grande porte, pomar que não necessite de poda, pastagens para animais ou para forragem. Pode contar espécies de árvores nativas.

Zona 4 – Esta é uma zona semi-manejada, de pouca visitação. Nela ficam as árvores de grande porte, que podem se manejadas. Aqui é possível a implantação de sistemas agroflorestais – produção consorciada de plantas (policultivo).

Zona 5 – Nessa parte do terreno não haverá nenhuma interferência. A única coisa a ser feita é observar e aprender como o ecossistema funciona por si só.

O zoneamento pode variar de acordo com as necessidades de cada permacultor. David Holmgren afirma que, para se conseguir um bom planejamento em propriedades maiores, é necessário criar uma “rede de análise”.

(BioWit)

Advertisements

One thought on “Zonas e Setores

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s